As empresas perdem mais de 600 mil euros por ano devido a má gestão das aplicações em nuvem. A questão fundamental deixa de ser se o serviço está disponível. O importante é saber se é suficientemente rápido
Um estudo que envolveu 300 directores de TI de grandes organizações europeias, todas com mais de 1000 empregados, conduzido pela empresa de pesquisa Vanson Bourne para a Compuware, revela que a maioria das grandes organizações europeias perde, em média, 608 mil euros por ano devido a problemas de desempenho relacionados com aplicações baseadas em cloud.
O inquérito conclui que mais de metade das organizações (57%) está a abrandar ou, até mesmo, a suspender a utilização de aplicações em cloud até que tenham capacidade para solucionar os problemas de desempenho associados às mesmas. Luís Miguel Porém, director regional da Compuware para Portugal & Eastern Europe, explica estes resultados: «Até agora, as empresas têm investido principalmente em aplicações baseadas em cloud, como sites de e-commerce ou ferramentas de colaboração online sem realmente atentar nos riscos que um fraco desempenho pode implicar nos seus modelos de negócio.»
Para o responsável da Compuware, «embora todas as organizações percebam a flexibilidade e a relação custo/benefício das aplicações baseadas em cloud, este estudo indica claramente que a adopção futura destas aplicações será severamente prejudicada caso não ocorram alterações na gestão de desempenho das mesmas». O estudo aponta como solução aumentar a confiança dos clientes ao actualizar as estratégias de gestão de desempenho da aplicação, para que estes se adaptem com sucesso aos ambientes actuais.
O estudo conclui ainda que 72% das organizações admitem que a sua capacidade de garantir níveis de serviço é severamente restringida, pois as aplicações baseadas em cloud, pelo seu próprio carácter, são entregues através de uma rede aberta – Internet. Historicamente, as organizações têm estruturado as suas estratégias de gestão de desempenho das aplicações em torno de infra-estruturas internas, onde o controlo é completo. No entanto, como a natureza das aplicações de negócio continua a sofrer grandes alterações, movendo-se de dentro das fronteiras do negócio para um ambiente sem fronteiras fora da firewall, o método utilizado para a gestão das mesmas deve ter em conta esta mudança.
Por outro lado, 84% dos inquiridos declararam que tinham expectativas mais elevadas em relação ao rigor dos Service Level Agreements (SLA), exigindo métricas de avaliação mais eficazes caso optem por aumentar as suas aplicações baseadas em cloud. Na verdade, para aumentar o nível de utilização, os inquiridos exigiram SLA com base na experiência do utilizador final. A questão fundamental deixa de ser se o serviço está disponível, mas sim se é suficientemente rápido.
Mais de dois terços (67%) dos responsáveis e directores de TI salientaram ter equipas de peritos com competências suficientes para negociar SLA mais complexas, necessárias para a utilização de aplicações baseadas em cloud.
«Este estudo revela que a adopção destas aplicações está a ser prejudicada pelas preocupações relacionadas com o desempenho. No entanto, há sinais de que isso possa ser superado», afirma Luís Miguel Porém. Segundo ele, em primeiro lugar, «os inquiridos sabem que, caso desejem tirar o máximo partido das aplicações baseadas em cloud, é necessária uma perspectiva de um utilizador final». Por outro lado, a grande maioria «tem indicado que as suas equipas de TI têm as competências necessárias para negociar SLA orientados para o utilizador final, imprescindíveis para os serviços em cloud».
As preocupações em torno da segurança são obviamente importantes ficando, contudo, claro que o desempenho está a tornar-se o inibidor do negócio por resolver. «A grande vantagem, neste momento, é que as pessoas estão cada vez mais cientes do problema e reconhecem que a experiência do utilizador final não pode ser comprometida», conclui Luís Miguel Porém.






