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Entrevista - Semana Informática

A tecnológica portuguesa pretende ser o parceiro tecnológico no campo da factura electrónica em mercados como o alemão e o inglês. Para isso, começou a procurar parceiros locais

A Portugal Informático (PI) surgiu há 14 anos quando três estudantes decidiram lançar um BBS (Bulletin Board System). Tratava-se do primeiro projecto BBS em Portugal de chat online, utilização com suporte 24 horas/7 dias por semana e um leque variado de conteúdos. O sistema informático permitia a ligação via telefone a um sistema através do computador e interagir com ele. A sua funcionalidade era proporcionar a distribuição de software, aplicativos e informações por empresas que precisavam integrar os seus funcionários externos.

Graças ao empreendorismo destes jovens e aos processos que despoletou a criação do BBS, os três responsáveis pelo projecto decidiram criar um espaço próprio. A recém-criada empresa, na Cidade Invicta, começou a trabalhar essencialmente na área das redes, o que permitiu entrar nas empresas mais pelo lado das competências técnicas do que numa perspectiva funcional.

Com o correr dos anos, a empresa foi refinando a sua actuação e o portfolio de serviços, o que permitiu alargar o espectro de actuação da PI em áreas que mais interessavam aos seus criadores: a entrada no cliente pela área da consultoria em detrimento das questões técnicas. Esta nova realidade garantiu dois aspectos que, para Afonso Rangel, CEO da PI, «ainda são factores diferenciadores da empresa».

Por um lado, uma metodologia interna e desenvolvida que nunca está numa zona de conforto, porque está sempre a ser questionada e melhorada e tem de garantir que o âmbito de responsabilidades assumido com os clientes é integralmente cumprido, porque isso «é sinónimo de satisfação do cliente. Por ouro lado, este aspecto só se consegue executar com sucesso graças ao cumprimento criterioso das métricas e dos modelos desenvolvidos pela PI, os quais estão constantemente a ser melhorados e optimizados.

Para Afonso Rangel, o facto de a PI ser «uma das poucas empresas que cumprem os prazos estipulados nos projectos adjudicados» é um motivo diferenciador que, muitas vezes, leva os clientes a voltar a depositar a confiança no trabalho desenvolvido pela empresa. Do ponto de vista da gestão interna da PI, o rigoroso cumprimento dos prazos «é um aspecto crucial para a boa gestão da empresa», acrescenta.

Investimento em I&D origina e-Billing Connector
Fruto da área de investigação que a PI Portugal desenvolve, e que abarca testes a novos produtos e soluções que mais tarde são transpostos para projectos-piloto com clientes, em 2005, surgiu a ideia de desenvolver uma solução de facturação electrónica mas com «um conceito diferente do que existia no mercado», explica Afonso Rangel. Os responsáveis da PI entenderam que havia espaço no mercado para o crescimento rápido das soluções de facturação electrónica e decidiram desenvolver uma nova ferramenta. Fizeram análises de mercado que incluíram vários países europeus – Espanha, França, Inglaterra, Bélgica e Alemanha – e verificaram que havia uma lacuna nesta área, ou seja, a existência de soluções que não se adequavam às necessidades tecnológicas e financeiras das empresas com as quais a empresa portuense normalmente trabalhava.

Foi então que surgiu a ideia de desenvolver um conceito que na altura era novo, ou seja, uma solução de facturação electrónica que não estava assente no modelo Application Service Provider (ASP). Para isso, foi desenvolvida uma tecnologia in house, associada a soluções de ERP. Surgia assim o e-Billing Connector, um produto de facturação electrónica que, devido aos bons resultados e à aceitação que os primeiros projectos tiveram, fez com que «a carteira de clientes se ampliasse largamente». De acordo com Afonso Rangel, o e-Billing Connector já foi implementado com soluções SAP, Indra, AIRC, CM Soluções (companhia que trabalham com soluções de gestão essencialmente para hotéis na América Latina) e Audaxys. Segundo a empresa, foram transmitidos mais de 3 milhões de documentos nos processos InBound e OutBound.

Questionado sobre a possibilidade de certificar a solução junto dos ISV de aplicações de gestão, Afonso Rangel respondeu de forma negativa e explicou que essa é uma situação que não está nos planos da Portugal Informático. Trata-se de uma opção relacionada com a vontade de poder integrar esta aplicação com todos os ERP, sem os diferenciar. A lógica não é trabalhar na área do ERP mas sim trabalhar sempre em conjunto com os parceiros das software houses para realizar a integração do produto, salvaguardando sempre a independência tecnológica, justificou.

Independência tecnológica é bandeira
A abordagem da Portugal Informático junto dos clientes parte sempre de uma determinada necessidade. Dessa abordagem resulta uma análise com a qual vai ser identificado um conjunto de necessidades futuras, e é aqui que os responsáveis da empresa entendem que, para não comprometer o aconselhamento ao cliente, devem manter a total independência dos fabricantes, apesar de serem parceiros Microsoft, Oracle ou de outros tantos fabricantes. «Preferimos manter a independência da tecnologia e com base no conjunto de necessidades identificadas ir ao mercado para analisar qual o conjunto de ferramentas e tecnologias que estão disponíveis para suprir as lacunas reconhecidas e quais as que melhor se adaptam à infra-estrutura do cliente com menores custos», explica o nosso interlocutor.

O fruto deste género de abordagem ao mercado traduz-se nos resultados da companhia reportados no ano passado. A Portugal Informático finalizou o ano de 2008 com uma taxa de crescimento de 55% relativamente ao volume de negócios e de 70% no que toca ao EBITDA. Números que suportam a satisfação demonstrada por Afonso Rangel e que, no seu entender, se devem essencialmente ao bom desempenho verificado na área da saúde e facturação electrónica.

A empresa possui duas unidades de negócio bem diferenciadas: a área de enabler solutions e a área de systems. A primeira área é mais funcional e foi responsável por 75% da facturação da empresa, enquanto a segunda área possui um cariz mais técnico, tendo representando os restantes 25% da facturação da empresa.

Para 2009, as perspectivas da Portugal Informático passam por continuar a crescer a uma taxa entre 10 a 15%. Esse é o cenário previsto mas, atendendo às incertezas e às constantes revisões da economia, Afonso Rangel admite que o desempenho da empresa possa ficar aquém destas expectativas, uma vez que os clientes da PI são empresas de grande dimensão, que, neste momento, estão vulneráveis à conjuntura económica nacional e internacional.  

Outra das novidades que a PI apresenta é a internacionalização. A empresa já desenvolveu projectos em Espanha, Inglaterra e Brasil, para além de uma presença activa em Angola. Estes são os mercados naturais para continuar a internacionalizar a factura electrónica, sem esquecer outros mercados onde este produto possui procura, como é o caso da Alemanha. Perante este cenário, o CEO da PI reconhece que a empresa não tem uma estrutura para atender a todos estes mercados de uma forma directa, razão pela qual está a ser definido um plano de acção para identificar dois países e neles procurar parceiros que ajudem a tecnológica portuguesa a seguir em frente. A empresa pretende ter parceiros locais no contexto do ERP e consultoras para poder desempenhar o mesmo papel que possui em Portugal: ser o parceiro tecnológico da factura electrónica.

 

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